4 - DE PADRE JUNINO AO VERDADEIRO PALCO DA INCLUSÃO

PASSOS ENSAIADOS NA DRAMATURGIA

Minha história com teatro pode se dizer é um flete de infância. Minha primeira lembrança de atuar em um palco foi, quando pequeno e aluno da Associação de Assistência à Criança Deficiente-AACD, quando fiz um dos três reis magros em um auto de Natal. Depois no AACD-Santana montamos uma peça na festa junina dramatizando a música: “Com a filha de João, Antônio queria se casar, mas Pedro fugiu com a noiva na hora de ir para o altar...” Fiz o papel justamente do padre e celebrei o casamento! Ainda na AACD, participei das montagens de muitas outras peças escolares como ator.

Escrever para o teatro sempre foi e continua a um grande sonho profissional. Como autor, minha primeira experiência neste sentido me remete à quarta série, quando eu era aluno do professor Irineu Buzio, na E.E.P.G. “Valeriano Fonseca”, em Guaraçaí-SP. Na época escrevi e apresentei ao professor um pequeno texto. Com um elenco de cinco personagens, representados pelos meus colegas de sala, a peças foi dramatizada na manhã de 14 de outubro de 1984 no pátio da escola. Embora muito simples, foi muito aplaudida!

Dois anos depois, fui convidado à assistir no Guaraçaí Clube uma peça chamada  “A Formiguinha”, cujo ator principal seria o meu melhor amigo Maurício Rogério Tavoni. Confesso que fiquei surpreso, pois nunca havia ouvido dizer que ele tinha inclinação para o teatro. Mas o seu desempenho foi tão bom, que me fascinou. Assim que fui cumprimentá-lo, falei que escreveria um texto especial para ele. E uma semana depois, entreguei-lhe “O Desajeitado”, uma comédia sertaneja. O texto foi encenado na quadra esportiva de nossa escola na ocasião da festa junina.

Um ano depois, em 1987, quando o Maurício já estudava na E.E.P.S.G. “Juventino Nogueira Ramos”, na mesma cidade, ele remontou a peça para um concurso escolar, ganhando o primeiro lugar. Um fato curioso aconteceu na ocasião. Ele desde o início ocultou o meu nome como autor para não influenciar os seis jurados, todos conhecidos meus. Numa coincidência do destino, na semana do concurso um jurado não pôde participar. A direção da escola, sem saber os detalhes da autoria, como eu já era jornalista na cidade, convidou-me para fazer parte do corpo do júri. Mas minha participação não teve peso decisivo, pois a peça venceu com cinco votos contra um.

Nesse contexto de meus textos teatrais, infelizmente, dois importantes para mim, escritos na época da máquina de escrever, não guardei cópias. Assim, “Guaraçaí! História De Um Passado” e “Grito De Alerta”, ficaram perdidos no tempo...

Depois, outros textos vieram, como no ano de 1997, quando decidi me dedicar ao estudo de Dramaturgia e produção. Filiei-me à Sociedade Brasileira de Autores Teatrais-SBAT/RJ, comecei a rascunhar muitos testos dramáticos. Fui procurar o professor e diretor de teatro Elio Andreolli na Secretaria Municipal de Bauru. Expus a minha vontade de conhecer mais sobre teatro a ele que me convidou para acompanhar as montagens das peças, ensaios que ele produzia na ocasião. Embalado, escrevi a peça “Encontro Não Marcado”, que, tendo vários personagens reais da história literária brasileira, chegou a ter uma leitura dramática e início de montagem em Araraquara/SP, mas não foi pra frente.

Outro fato marcante daquele ano, foi após ler vários livros da renomada dramaturga e professora Renata Pallottini, atrevi-me escrever uma carta a ela pedindo conselhos para minha formação de dramaturgo. Renata lecionava na Escola de Comunicação e Artes (ECA/USP), para onde enviei a correspondência. Minha surpresa foi que ela respondeu em uma folha de ceda timbrada, uma linda caligrafia. Sua simpatia foi tanta e o conteúdo da carta têm tantos bons conselhos, que guardo essa carta como um troféu.

Em 1997 escrevi a peça “Do Chocolate, Ao Primeiro Beijo!” para um concurso de teatro infantojuvenil no Rio Grande do Sul. Depois “Uma Psicóloga Em Minha Vida”, um monólogo que acabei adaptando para o conto, passando a se chamar “Nostalgia do Futuro”, que deu título há um livro publicado em 1998. Na época corri atrás de vários diretores de teatro, distribuindo cópias de meus textos.

Dessa que considero a primeira fase da minha dramaturgia, a surpresa maior veio em 2000. A pedido de um casal de amigos teatrólogos, escrevi uma pequena comédia intitulada “Enfim, Brigamos!”. Fiquei sabendo, em seguida, que a revista eletrônica INTERPALCO estava promovendo o concurso “O Autor é Você!”, que classificaria os dez melhores textos teatrais resumidos em uma única cena. Na intenção de ficar entre os dez, enviei o meu texto. Em março, saiu o resultado publicado na internet. Fui conferir direto entre o terceiro e o décimo lugar e fiquei frustrado ao não ver o meu nome entre eles. Só por curiosidade dei uma olhada no primeiro e era o meu texto!

Por causa do concurso recebi muitos e-mails brasileiros e estrangeiros. Em especial uma mensagem da África, guardo até hoje com muito carinho. Assinado por Sebastião Panzo e datado em 24 de junho de 2000, ele dizia em um trecho: “Acabando de ler a sua peça Enfim, Brigamos!, achei giríssima, fascinou o seu poder de síntese e a disciplina expositiva, como numa situação, quase banal, conseguiu erguer uma história de duas vidas ligadas pelo matrimônio centrado na grande experiência de aceitação mútua, numa sociedade em permanente mutação como a brasileira. Chamo-me Sebastião. Sou angolano. Escrevo a partir de Luanda”.

“Enfim, Brigamos!” já passou de trinta montagens em todo o Brasil.

RETORNANDO AO FLETE

Em 2010, já com formação em psicologia e psicanálise, escrevi “A Fábrica De Loucos”, onde três pacientes fogem de um manicômio tradicional. Isso causa problemas a um político dono de vários desses hospitais, discutindo-se a questão da luta antimanicomial. Paralelamente, os três caminham pela sociedade, observando os nossos atuais comportamentos. Questões como alienação no ambiente de trabalho, trânsito caótico, sociedade de consumo, um ser humano alienado em si mesmo, a eterna perseguição da acumulação de bens. Por fim, os três pacientes tiram suas próprias conclusões dessa atualidade. Essa ideia ficou por quinze anos na minha cabeça. 

Nesse período voltei a desejar conhecer mais do mundo cênico. Não apenas estudar e escrever teatro, como também pesquisar, fazer experimentações sobre teatro. E o tripé teatro, psicologia e psicanálise pode ser um caminho de muitas possibilidades, tanto de pesquisa como para criações de textos, personagens, espetáculos, enfim!!!

Escrevi algumas peças em parceria com o Ivan Beteto, meu amigo e grande parceiro desde as primeiras semanas de faculdade. Foi em uma noite gelada de domingo que eu e o Ivan fomos assistir a uma peça encenada no bar de um antigo hotel no centro de São Paulo. Chegamos muito cedo, paramos em uma padaria e começamos a papear em pé no balcão. Foi quando ele me contou em primeira mão que largaria sua promissória carreira de psicólogo hospitalar para cursar medicina. Hoje ele é um grande profissional e tenho muito orgulho dele.

Em janeiro de 2012 planejei fazer um dos maiores atrevimentos da minha vida, querendo me matricular como aluno no Teatro Escola Macunaíma. Uma escola tradicional desde 1974, fundada pela atriz Myriam Muniz, o diretor Silvio Zilber e o cenógrafo e figurinista Flávio Império, artistas consagrados, cujos nomes se misturam à história do teatro brasileiro, todos premiados e com experiências que se tornaram simbólicas no meio teatral. Entre elas, TBC, Teatro Arena e Teatro Oficina, que deram contribuições valiosas ao mundo da dramaturgia.

Minha intenção não era nem de longe querer ser um ator. Meu foco era procurar novidade e um novo rumo/desafio para minha vida; conhecer por dentro o mundo do teatro para depois escrever, pesquisar melhor. Sentia a necessidade de voltar a me expressar como autor. Depois do curso poderia usar algumas técnicas para me expressar melhor em minhas palestras; também há a questão da interação social, pois lá estaria me incluindo entre o pessoal do teatro, podendo me destacar como autor, pegar encomendas de textos.

O VERDADEIRO PALCO DA INCLUSÃO

Quando eu era aluno de psicologia em Bauru e vinha aos feriados e férias para casa de minha mãe em São Paulo, certa vez sentado no primeiro banco do ônibus, ouvi uma frase que veio do rádio do motorista: “O impossível é apenas uma coisa possível que ainda não tentamos realizar!”

Tempos depois, já morando aqui na capital, por algumas vezes fui com minhas irmãs assistir peças no palco principal Teatro Ruth Escobar. E em uma dessas vezes, no meio de uma comédia, veio-me um desses pensamentos que a gente nunca sabe de onde vem e o porquê: “Eu nunca vou ser capaz de como esse ator pisar neste palco...”

De fato, eu estava decidido a entrar no Macunaíma. Só que a vida nos oferece boas surpresas. No início de 2013 participei de um programa na TV Brasil onde rolou um VT sobre um grupo de inclusão teatral que se encontrava para ensaiar às manhãs de sábados no Teatro Ruth Escobar aqui em São Paulo. Chamado Cia Teatral Olhos de Dentro, após o programa, tive a oportunidade de conversar pelo chat com a diretora do grupo, a atriz e psicopedagoga Nina Mancin. Ela carinhosamente me convidou a conhecer a Cia.

Fui em uma manhã de sábado com minha mãe e pronto! Foi paixão à primeira vista. Passei a integrar a Cia Teatral Olhos de Dentro. 

Foram tantas manhãs de sábados que eu e todos àqueles parceiros levantamos com o objetivo de ir às aulas de teatro. Cada um chegando de um lado, encontros e abraços. Aulas de aquecimento com o preparador corporal e ator Geraldo Pereira, hoje um irmão do coração. Eram exercícios e alongamentos realmente puxados. Eu achava o máximo quando Geraldo dizia: “Eu não estou aqui para facilitar a vida de ninguém!”

No grupo cada pessoa ia se superando em suas próprias limitações, descobrindo-se em novas possibilidades. Cada um compartilhando o seu universo com os outros. Ao mesmo tempo observando e aprendendo como o modo de ser e de viver de cada companheiro. Nas ajudas mútuas as limitações, físicas, motoras, intelectuais, visuais, existenciais – sejam quais fossem elas! – naturalmente tornavam-se pequenas diante de tantas qualidades e forças humanas.

Em seguida vinham os ensinamentos e exercícios cênicos da Nina. Às vezes tínhamos o grande presente de receber a visita do Carlos Meceni – diretor, ator, dramaturgo, idealizador do grupo - que se sentava e ficava nos observando com aquele rosto sereno que nos passava o reflexo de tantos anos de experiência na televisão, teatro e cinema brasileiro. Sempre tinham novas descobertas pessoais e/ou em grupo. Ao mesmo tempo em que muitos entravam e saiam da nossa trupe, sempre deixaram suas marcas, grandes lembranças. Mais do que teatro, fomos construindo o verdadeiro palco das superações, onde o impossível era apenas coisas possíveis ganhando forma e se concretizando em realidade!!!

Os sábados somados tornaram-se semanas, meses. Juntos, Nina e Meceni definiram o tema, o texto e a forma que queriam para o nosso espetáculo. Começaram a definir os papéis, recebemos os scripts. Primeiras experiências de montagens cênicas. Algo tomando forma e pronto: os ensaios das apresentações começaram a rolar na nossa, carinhosamente, salinha!

Nina apostou alto no grupo, alugando por quatro manhãs de domingos o palco principal do Teatro Ruth Escobar. Justamente aquele mesmo palco que um dia eu pensei que nunca iria pisar...

Descemos as escadas rumo à sala Gil Vicente. Estamos no palco principal das nossas apresentações. Ao mesmo tempo, paradoxalmente, subimos importantes degraus em nossas conquistas e na construção do nosso espetáculo. Começamos a lidar com outras novidades. Conhecer e explorar toda a dimensão física do palco, a lidar com a luz. Conhecer, entrar e sair da marcação de cada um no tempo certo. Saber interagir e trocar com o parceiro de cena. Atenção para os momentos certos de entrar no palco e voltar à coxia. E olha que de ensaio a ensaio outras novidades entravam, lidar com o figurino, maquiagem, com as músicas e coreografias, enfim. Novidades entravam naturalmente...

A grande marca do nosso projeto era a convivência e a construção coletiva semana a semana. Ninguém era uma Fernanda Montenegro, um Toni Ramos, um Lima Duarte, uma Adriana Esteves, enfim, tantos outros nomes que eu poderia citar como referência de grandes atores e atrizes. Só que nada impedia que seriámos um dia. Mesmo porque o mercado artístico é dinâmico e se renova constantemente.

Só que para se chegar ao nível e ocupar posições dessas nossas referências, existe uma palavra-chave: CORAGEM!

Coragem de errar sem se preocupar com os olhares dos companheiros em volta. Coragem de experimentar, criar, progredir ou voltar na construção das personagens. Coragem de ter humildade para ouvir a opinião dos companheiros. Coragem de ouvir a assimilar o que a diretora nos pede e surpreendê-la, arrancando de dentro de nós o melhor. Permitir que brote o ator, a atriz que muitas vezes está sufocado pelo medo.

Aliás, para que o medo?  Uma coisa que sempre digo é que viver é para quem tem coragem. Na verdade, eu nunca tive medo de mudar, experimentar, ariscar na vida. Eu sei que não sou melhor que ninguém, mas faço parte de um grupo de pessoas que têm essa coragem e, mesmo tendo tudo contra a sua realidade, não medem esforços. Buscam forças onde menos se espera, acham brechas em situações adversas e vão em busca de seus sonhos. Chegam aonde desejam ou até mais longe...

Como eu disse, eu não sou melhor que ninguém. Mas eu disse isto aos meus companheiros em uma crônica lida pela Nina em uma de nossas aulas em março de 2013: 

“Vamos lá gente, a vida nos presenteou com a oportunidade de neste momento estar participando de uma peça, de pisar e brilhar num palco profissional. Vamos dar o nosso melhor. Soltarmos, distrairmos em cena, fazer do ato de atuar uma grande brincadeira séria. E “brincar” tornará nossas apresentações tão mais leve e descontraídas, que o resultado serão os aplausos da plateia.

“O medo, a insegurança, a perfeição não foram convocados pela Nina. Eles não fazem parte do nosso elenco, não precisam nem de longe pisar no palco e muito menos repousar na coxia. Aliás, se vocês olharem o contexto desta crônica, terão erros de gramatica, grafias, enfim. Mas mesmo assim eu não me intimidei em escrevê-la. Foi uma forma que achei para que, simbolicamente, eu abrace e olhe dentro dos olhos de cada um e diga de todo o meu coração: “DÊ O SEU MELHOR. EU ACREDITO MUITO EM VOCÊ!!!”

“Vamos lá gente. O palco das superações que estamos construindo todo esse tempo juntos não acabou. Ele apenas está nos lançando ao grande desafio de realmente provarmos que somos atores de muita capacidade e brilho quando a assunto é auto superação!”

A nossa peça “Cidade Cheia De Graça” foi um marco. Durante as quatro manhãs de domingo as plateias ficaram lotadas de pessoas rindo, cantando, emocionando-se com o espetáculo. Chegaram a formar filas até na calçada do teatro. E no último dia tivemos que fazer duas apresentações em seguidas, pois lotou a plateia e outra ficou para fora esperando.

Esse marco foi principalmente em minha vida pessoal, uma das experiências mais marcantes para mim

Foi na Cia Teatral Olhos de Dentro que realmente entendo o sentido deste pensamento: “O impossível é apenas uma coisa possível que ainda não tentamos realizar”! Hoje até posso dizer que já pisei e atuei no palco principal do Teatro Ruth Escobar...

E quanto ao flete que sempre tive com as artes cênicas e a dramaturgia, espero um dia transformar em casamento...

TRÊS EXPERIÊNCIAS AUDIOVISUAIS

Ao contrário do teatro onde tenho um longo flete, no mundo audiovisual eu já tive três rápidas paqueras...

Sendo um projeto experimental e curtindo o hobby de diretor amador, “Diálogos – O Filme” foi o primeiro filme infantil desenvolvido por mim, após 38 anos trabalhando nele. Isto porque aos seis anos de idade, escrevi as três histórias contidas nesse curta. Nos anos 1990, estudando artes gráficas, fiz todas as ilustrações no computador para uma coleção de três livros infantis. Em 2013 vi a possibilidade de uni-los em um pequeno filme-livro de nove minutos com narração, movimentos dos quadros e trilha sonora. Hoje ele está sendo exibido em várias escolas brasileiras.

Qual a diferença que um professor pode fazer na vida de um aluno com deficiência que está sendo incluído? Para muitos pode parecer apenas mais um aluno em sala de aula em processo de aprendizagem. Mas dependendo do carinho e dedicação desse professor, ele poderá estimular e lançar esse aluno para uma vida de possibilidades! Esse a premissa que procurei ao produzir o pequeno documentário “1981 – O Início Da Minha História Inclusiva”, tendo a minha própria caminhada como foco central, eu quis mostrar justamente isto.  O quanto foi importante para mim o fato de um professor ter me incluído em um grupo escolar normal, abrindo-me caminhos por meio dos estudos, possibilitando-me a atingir o que sou hoje.

Dono de muitas histórias para contar, Mário Flávio Berthola Ramos Nogueira, o Professor Maroca, lecionou durante 33 anos em escolas estaduais paulistas.  Nos anos 1970 e 1980, quando a palavra inclusão ainda nem se quer era cogitada, Maroca promoveu dois bem-sucedidos casos de inclusão escolar. E um deles foi o meu!

Em 2016 o meu primeiro livro “Noites Guaraçaienses” completaria 30 anos. Eu queria comemorar em grande estilo. Resolvi produzi o meu primeiro documentário longa-metragem. Estudei como se faz, escrevi um roteiro, comprei alguns equipamentos e em maio parti para Guaraçaí. Reuni meus amigos Silvio, Alan e Helton, expliquei minha ideia, todos toparam na hora.

Durante 20 dias a gente foi marcando horários com pessoas que já estavam no roteiro e outros nomes que iam surgindo. Nos locais marcados e nas residências dos entrevistados passamos horas gravando depoimentos, resgatando muitas memórias emotivas. Foram capitadas muitas cenas estabilizadoras.

De volta à São Paulo, eu tinha em mãos 20 horas de material gravado. Passei um mês e meio sozinho em meu quarto fazendo a edição e montagem do filme no computador, uma experiência apaixonante. Depois a sinopse do meu primeiro documentário ficou assim: “Noites Guaraçaienses – O Nascimento De Um Poeta” narra a história de um escritor com deficiência motora que, 30 anos depois, volta a uma pequena cidade do interior para relembrar o lançamento do seu primeiro livro de poesias. Reencontrando-se com vários personagens daquela época, eles reconstituem as memórias da infância e o inicio da adolescência do jovem poeta e a sua obra, tendo como pano de fundo as consequências positivas de sua inclusão escolar, social e profissional para os dias atuais”.

Naquele ano eu fui quatro vezes à Guaraçaí por causa dessa comemoração. E no dia 11 de novembro, na Câmara Municipal, foi exibido o filme para uma plateia de muitos amigos e pessoas importantes na minha vida. Em seguida lancei a edição comemorativa de 30 anos do livro com as poesias originais da primeira, outras composições que na época não entraram no livro, inclui capítulos de memórias e uma capa pintada exclusivamente pelo artista plástico e meu querido amigo Luiz Xavier. 

Vale registrar que toda essa comemoração teve o apoio desde o começo da Maçonaria de Guaraçaí, onde são quase todos meus amigos de longa data. Foi uma noite guaraçaiense muito marcante na minha vida pessoal e profissional

Em seguida “Noites Guaraçaienses – O Nascimento De Um Poeta” foi selecionado para ser exibido na Mostra de Arte Inclusiva de São Paulo em dezembro e outras propostas de exibições pelo país. 

Só para registrar, esses meus três trabalhos acima estão disponíveis para serem assistidos no youtube.

PRÓXIMO CAPÍTULO

Emílio Figueira - Escritor

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista, teólogo independente. Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de noventa títulos lançados. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira foi professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva. Atualmente dedica-se a Escrever Literatura e Roteiros e projetos audiovisuais.

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